Confesso que estava muito nervosa, não conseguia nem discar o número da polícia, mas enfim, depois de algumas horas chega o delegado:
_ A senhora ouviu algum barulho no corredor?
_ Não, abri a porta para ir trabalhar como faço todos os dias e lá estava o corpo, fiquei apavorada, comecei a gritar por socorro.
_ Como percebeu que ele estava morto?
_ Percebi que ele não se mexia, então coloquei os dedos nele e senti que ele estava frio e rígido.
_ A senhora conhecia a vítima? Ele era morador do prédio?
_ Eu o conhecia de vista, mas nunca tinha conversado com ele, nem sei se ele morava no prédio.
_ Quantas vezes a senhora viu aquele homem?
_ Vi algumas vezes.
_ A senhora não notou se alguém a observava nesses últimos meses.
_ Não.
_ A senhora acredita que algum morador do prédio teria motivos para cometer esse crime?
_ Eu não tenho a menor idéia, senhor delegado, pois tenho uma vida tão atribulada que não tenho tempo para reparar na vida dos outros.
_ Acha que o homem que estava ali poderia conhecer a senhora e a sua rotina?
_ Eu não sei. Só sei que estou assustada até agora e não entendo como é que aquele homem foi morrer bem na minha porta.
_ A senhora sabia que aquele homem tinha passagem pela polícia?
_ Então ele era um ladrão? Meu Deus! Será que ele estava tentando assaltar a minha casa?
_ Nós estamos começando as investigações, mas tudo indica que ele veio até o prédio para fazer um assalto e acabou infartando, com a queda bateu com a cabeça, por isso estava sangrando. Por favor, não saia da cidade até que o inquérito esteja terminado.Tenha uma boa tarde.
_ Pode contar comigo delegado, estou a disposição da polícia para qualquer esclarecimento.
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