terça-feira, 1 de maio de 2012


Coisas Banais da vida
         Na fila do caixa o moço me diz: - A senhora trouxe sacolas adequadas para levar suas compras?
         Respondi:
         -Não. Não teria tantas sacolas assim.
         - O moço do caixa mui delicadamente disse:
         - A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, pois não sabe que de acordo com a nova lei, os sacos de plástico não são agradáveis ao meio ambiente.
         Pedi desculpas ao moço e indaguei-me:

         - No meu tempo não era assim.

         O moço respondeu:

         - Minha senhora, esse é justamente o problema que enfrentamos hoje. Devida a uma geração que não se preocupou o suficiente com nosso meio ambiente. Inclusive a geração da senhora.
         - Você está certo, respondi:
         - Bom. Minha geração não se preocupou mesmo com o meio ambiente. Tanto que na minha  época, não se usava caixinha de leite e sim garrafas, todas de vidros, compravam-se mediante os cascos. Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Mas você está certíssimo. Até então, as fraldas eram de panos em metros que comprávamos na loja e fazíamos as bainhas, e lavávamos e enchíamos o varal de fraldas branquinhas, pois não havia fraldas descartáveis.
         Bom, já irritada com aquela situação perguntei:
         -E então como ficamos? Depois de passar por tudo isso e enfrentar filas e mais filas tenho ainda que trazer de casa um malote de sacolinhas?
O moço ironizado respondeu:
         - Minha senhora não posso fazer nada, procura o seu direito. O que não pode acontecer é esse impasse no caixa.
         Saí dali furiosa, dirigi-me ao gerente do supermercado que não deu a menor atenção ao fato ocorrido.  Indignada com a situação mal resolvida, decidi ir até a delegacia de Polícia perto dali, para fazer um Boletim de ocorrência.
         Já chegava perto das nove horas da noite. No caminho, cansada e decepcionada da vida, eis que encontro  um cadáver estirado bem na esquina. E parecia ser um corpo de um trabalhador.
         Chegando à Delegacia, deparo com um policial e o delegado bem atento a um jogo de futebol. Que nem percebe a minha presença por longos minutos.
Chamei a atenção do Policial:
Boa noite seu moço, estou aqui para fazer um boletim de ocorrência de uma situação constrangedora que me aconteceu no supermercado, mais chegando aqui perto da Delegacia encontrei um cadáver de um moço caído e ninguém por perto.
O policial logo levantou e disse:
- Minha senhora ou uma coisa ou outra não da para resolvermos as duas coisas ao mesmo tempo. Visto que hoje é sábado e não podemos perder tempo com coisas banais.
Diante a recepção grosseira daquele policial. Respondi então:
- Não seu moço pode ficar sossegado assistindo seu jogo. Não houve nada, pois para mim isso é tudo banal e corriqueira. Já não sei mais o que vim fazer aqui. Agradecida. Fui...



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